No cotidiano operacional de uma empresa, é comum que máquinas, veículos e equipamentos passem por períodos de ociosidade, seja para manutenção, aguardando uma nova demanda ou simplesmente temporariamente fora de uso. Diante desse cenário e do tratamento contábil aplicado a esses bens, surge a seguinte questão: por que um ativo pode ser depreciado mesmo quando não está em uso?
O que é a Depreciação?
Conforme o CPC 27 – Ativo Imobilizado, a depreciação corresponde à alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil. E o valor depreciável, pode ser definido como o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo menos o seu valor residual. Em geral, pode-se dizer, então, que a depreciação está relacionada aos efeitos do desgaste, da perda da utilidade do bem, à obsolescência, dentre outros, logo, o seu reconhecimento decorre do consumo dos benefícios econômicos desse ativo ao longo de sua vida útil, seja esse consumo pelo uso do bem ou por quaisquer outros fatores que afetem sua capacidade de gerar benefícios econômicos.
Por que um ativo "perde valor" mesmo sem ser usado?
Segundo o CPC 27 – Ativo Imobilizado, a depreciação de um ativo só se inicia quando este está em local e em condição de funcionamento para uso. Assim, embora o ativo ainda não esteja em uso, se já estiver em condições para tal, ele está sujeito a depreciação. O CPC 27 ainda diz que o bem deixará de ser depreciado na data em que esse ativo for classificado como mantido para venda ou quando for baixado, o que traz à tona o ponto principal desta discussão, pois a depreciação não para quando o ativo está ocioso, sem ser utilizado, e sim nos dois casos que foram citados.
Mas por que isso? Os benefícios econômicos futuros esperados que se obtenham do imobilizado, em sua maior parte, realmente são consumidos pelo seu uso, todavia, outros fatores, como obsolescência ou desgaste normal enquanto o ativo não está em uso, também podem acarretar a redução dos benefícios econômicos que se espera obter do bem. Esses fatores são considerados na determinação da vida útil de um ativo.
Nesse sentido, o CPC 27 determina que, para estimar a vida útil de um ativo, devem ser considerados fatores como o uso esperado do ativo, o desgaste físico normal esperado, a obsolescência técnica ou comercial e os limites legais ou semelhantes no uso do ativo. Dessa forma, mesmo que um bem permaneça temporariamente sem utilização, ele pode continuar sujeito a fatores que influenciam sua vida útil. Portanto, de um modo geral, o ativo estar sem uso não significa que ele tenha deixado de sofrer os efeitos que podem reduzir sua vida útil.
Resumo: A depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil e não depende exclusivamente de sua utilização, pois mesmo parado, o bem pode sofrer desgaste, obsolescência e outros fatores que reduzem sua capacidade de gerar benefícios econômicos. Por isso, conforme o CPC 27, a ociosidade do ativo não interrompe, por si só, a depreciação.
REFERÊNCIAS
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento Técnico CPC 27 – Ativo Imobilizado. Disponível em: CPC – Pronunciamento Técnico CPC 27. Acesso em: 18 ago. 2026
Elaboradora: Maria Eduarda Freitas da Costa
Postar um comentário
Deixe seu comentário